Jeronymo Monteiro

O escritor Jeronymo Barbosa Monteiro (1908-1970) é um marco fundamental da literatura infantil e juvenil do Brasil. Foi um dos precursores do rádio-teatro, criador do primeiro detetive brasileiro e da primeira série policial. Mas, acima de tudo, é sempre lembrado como "Pai da Ficção Científica Brasileira".

O CONTO TRÁGICO

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Em 1960, foi publicado O Conto Trágico, organizado por Jeronymo Monteiro, o nono volume da série “Panorama do Conto Brasileiro”, publicado pela Editora Civilização Brasileira, que atualmente faz parte do Grupo Editorial Record.

A capa é de Nora Ronai, arquiteta, escritora e atleta de natação brasileira, casada com o filólogo, tradutor e escritor Paulo Ronai

Na orelha do livro temos o seguinte texto:

“Relativo a tragédia. Funesto, desgraçado, sinistro, calamitoso. Caráter do que é terrível”.
É assim que, no geral, os dicionários assinalam e definem o significado de trágico. E para os contos que se encontram reunidos neste volume, cabem todas aquelas acepções. Alguns deles são, de fato, sinistros, outros apresentam um caráter terrível, outros narram episódios funestos e desgraçados. E todos, sem exceção, vivem de um ambiente de suspense, de tensão nervosa excitante.

As histórias e os escritores que Jeronymo Monteiro reuniu nesta antologia, são de ontem e de hoje. Há antigos, como Machado de Assis, Coelho Neto, Alcides Maia, João do Rio, Valdomiro Silveira. E novos como Lygia Fagundes Telles, Luís Canabrava ou João Guimarães Rosa. Todos porem, mantem-se naquele clima forte de tragédia, que dá ao conjunto desses contos uma grande linha de unidade, a mostrar que o amor ou a perversidade, por exemplo, não são de ontem, ou de hoje, são de sempre. E a mostrar igualmente, que são os nossos escritores capazes de penetrar fundamente na alma e nos sentimentos mais recônditos das criaturas, e de lá extrair a tragédia que as devora, impiedosamente.

Ao lado de grandes nomes da literatura brasileira de ficção, como um Lobato, um Machado, um Lima Barreto, um Coelho Neto, teve Jeronymo Monteiro a lembrança excelente de colocar alguns outros, hoje esquecidos, e autores igualmente, de trabalhos notáveis, como Inglês de Souza, Domício da Gama, Veiga Miranda, Alberto Rangel. E isso valorizou sobremodo esta antologia, por incluir, em suas páginas, ficcionistas não só de várias épocas, mas também de regiões diversas do nosso país, e que revelam como são variadas, conforme as zonas, ae reações que levam o homem ao episódio ou ao desfecho trágico.

O fantástico, em literatura preocupou sempre os grandes escritores, seduzidos pelo maravilhoso a que os podia levar a imaginação, percorrendo arrebatada e livre, zonas desconhecidas e completamente afastadas daquelas em que se passa e vive a existência de todos os dias.

As letras alemãs, inglesas, francesas, tem, a cultivar o gênero, alguns dos seus nomes mais representativos como Hoffmann, Somerset Maugham, Mérimée. E no Brasil não seria de todo destituído de verdade, se se dissesse que o gênero conto teve início, no século passado, com as histórias fantásticas de Álvares de Azevedo, nas Noites na Taberna. Daí por diante, a literatura fantástica incorporou-se à nossa ficção, dando a alguns dos nossos melhores escritores oportunidade de criarem verdadeiras obras-primas do gênero.

E raros foram os prosadores nacionais que não excursionaram pelo fantástico, compondo uma ou mais histórias desse tipo. Monteiro Lobato, por exemplo, tão objetivo em suas preocupações de homem e de artista, escreveu não um conto, mas todo um romance fantástico, o seu único romance – O Choque. E também Gastão Cruis, em sua Amazônia Misteriosa, ou Menotti Del Picchia, em A Filha do Inca.

Nesta seleção do que melhor se escreveu no gênero, entre nós, os leitores verão como tem sido constante e fiel a preocupação dos nossos escritores por literatura tão sedutora e ao mesmo tempo tão difícil. De Álvaro de Azevedo, nos tempos do Romantismo, passando por Aluízio Azevedo e Afonso Arinos na época do Realismo, detendo-se pouco depois em nomes como os de Lima Barreto, Viriato Correa ou Thomaz Lopes, para chegar ao Modernismo com um escritor da categoria de Aníbal Machado e daí até os mais recentes como um Orígenes Lessa ou um Josué Montello, poder-se-á percorrer, através destas páginas, uma estrada curiosa e diferente, porque seres e paisagens, casas e ambientes, tudo é novo. Como os escritores, que nessas histórias se entregaram apaixonadamente à sua fantasia, também os leitores podem e devem entregar-se à emoção, sempre nova e excitante, que proporciona a leitura de contos e entrechos tão fantásticos e maravilhosos como os que foram reunidos neste volume.

No interior da antologia encontramos os seguintes contos:

Curiango – Affonso Schimidt
Um homem bom – Alberto Rangel
Estaqueado – Alcides Maia
O açougue – Brenno Accioly
Meu sangue – Coelho Netto
Possessão – Domício da Gama
G.C.P.A. – Gastão Cruis
O caldo – Humberto de Campos
Acauã – Inglês de Souza
A hora e vez de Augusto Matraca – João Guimarães Rosa
Dentro da noite – João do Rio
Miss Elkins – Léo Vaz
Venha ver o por do Sol – Lígia Fagundes Teles
Clara dos Anjos – Lima Barreto
O hóspede – Lúcio de Mendonça
João Peba – Luiz Canabrava
A causa secreta – Machado de Assis
Uma escrava – Magalhães de Azeredo
Bichaninha – Medeiros e Albuquerque
Bugio moqueado – Monteiro Lobato
Gapuiador – Peregrino Junior
O primeiro amor de Antonio Maria – Ribeiro Couto
Comunhengue – Valdomiro Silveira
O presente de bodas – Veiga Miranda
A besta – Viriato Correa

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Informação

Publicado em 6 de novembro de 2015 por em Ficção Científica.
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