Jeronymo Monteiro

O escritor Jeronymo Barbosa Monteiro (1908-1970) é um marco fundamental da literatura infantil e juvenil do Brasil. Foi um dos precursores do rádio-teatro, criador do primeiro detetive brasileiro e da primeira série policial. Mas, acima de tudo, é sempre lembrado como "Pai da Ficção Científica Brasileira".

O FASCINANTE MISTÉRIO DA ATLÂNTIDA

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Este é um artigo escrito por Jeronymo Monteiro para a revista Almanaque do Pensamento de 1966, págs. 61 a 64.

Quando escrevi A Cidade Perdida, cuja primeira edição foi publicada pela Cia. Editora Nacional, em 1948, fi-lo sob a pressão de um estranho impulso e irreprimível. Tinha de escrever. Realizara a viagem descrita e fora, durante ela, empolgado por achados e vestígios que me pareceram muito importantes. Depois reli o que já tinha lido sobre o famoso “continente desaparecido” e li outras obras. Fiz anotações e fichas. Vi-me, ao fim de pouco tempo, de posse do material com que compus a obra.

Que sabemos nós?

Tanto durante as leituras como durante as viagens que fiz ao vale amazônico – algumas perguntas se levantam, insistentes: Que terra é esta? Que homens são estes que a habitam desde séculos? Quem riscou nas pedras do sertão estes sinais que se chamam hoje “inscrições rupestres”?

Em busca de resposta a essas perguntas, tenho devorado milhares de páginas impressas, viajado milhares de quilômetros. E a resposta que me acode, que parece plausível, me satisfaz – é uma resposta que a ciência oficial não reconhece. Porque há uma “ciência oficial”, assentada em dados estabelecidos, que repudia tudo o que possa vir subverter a cômoda ordem cimentada, segundo a qual se ensina, se escreve, se fazem discursos, se estabelecem programas. A resistência dos “donos da ciência” é enorme. Para exemplificar, basta lembrar o que foi a luta de Darwin e seus seguidores a fim de convencer a ciência oficial de que a teoria da evolução, com sua lógica (aliás verificável), resolvia os problemas e dificuldades de compreensão da variedade das espécies. A luta durou muitos anos; a oposição foi tremenda; a repulsa impiedosa. Por quê? Porque era preciso derrubar velhos tabus; era preciso reformar velhas teorias; era preciso rever toda a História Natural. E por que fazer isso, se as bases estavam tão bem assentadas, tudo tão ajeitadinho? Por que mexer na velha panela: Só para estabelecer uma verdade que, afinal, era dispensável?

Outros exemplos poderiam ser aduzidos em outros ramos da Ciência – mas não há espaço. Basta-nos concluir, por esse meio que, apesar de toda nossa prosápia, não sabemos nada definitivo.

Tenho a impressão de que estamos diante de fato semelhante no que se refere a dois problemas de História e de Etnografia, muito importantes para o estabelecimento de bases mais sólidas: a existência da Atlântida e a origem do homem americano.

Quanto ao habitante da América, a ciência oficial não transige: o americano veio para a América partindo do Oriente e aqui chegando através de “pontes” pelo Ártico, pelo Antártico, por continentes desaparecidos, como a Gondwana, a Lemúria, ou pelas ilhas do Pacífico. Estabeleceu-se que o homem, tal como o conhecemos hoje, desenvolveu-se na Ásia, talvez em parte da África, até mesmo em lugares da Europa. Mas aqui não!´Há, mesmo, uma certa fúria na defesa dessa tese. Querem, de qualquer modo, a qualquer custo, excluir o nosso continente da participação no aparecimento do homem. E enfileiram razões e provas, observações e teorias, esquecendo-se, talvez, de que essas mesmas razões, provas, observações e teorias, se tomadas em sentido inverso, funcionam de igual modo. O homem poderia ter surgido em nosso continente e aqui ter se desenvolvido, e poderia ter emigrado para o Oriente, para a Ásia, para a Europa, pelos mesmíssimos caminhos pelos quais, dizem, veio de lá para cá.

Não nos esqueçamos de que está no planalto central do Brasil o terreno mais antigo do mundo – solo que nunca esteve submerso, que não apresenta vestígios de estratificação; não nos esqueçamos de que os descobridores encontraram na América Central povos de civilização milenar superior, em muitos aspectos, à dos antigos egípcios. Por outro lado, essa civilização tinha estranhas concordâncias, com outras civilizações remotas no tempo e no espaço. Por quê? Por que veio de lá para cá? Mas podia ter ido daqui para lá.

O Brasil, principalmente na Bahia, no Piauí, em Sergipe, em partes do vale amazônico, apresenta pedras com milhares de inscrições rupestres. O interesse que a ciência oficial tem dado a essas inscrições é ridículo. Partem do princípio que aqui nunca houve povos de culturas apreciáveis; portanto, por que perder tempo com essas coisas? Qualquer risco, porém, que se encontre numa pedra, na Ásia, na África movimenta academias, instituições científicas, sábios e pesquisadores. As fabulosas ruinas das Sete Cidades na Paraíba; as ruinas, escavações e cerâmica da Ilha de Marajó – são coisas sem importância. A coincidência de signos rupestres brasileiros com inscrições encontradas na Ásia e na África são apenas coincidência. A semelhança de mitos e lendas dos índios brasileiros com mitos e lendas universais são coisas sem importância. O fato de muitas palavrar das línguas de nossos índios serem semelhantes e com igual significado de palavras gregas, egípcias e outras, não parece ter importância alguma.

Por quê? Porque se estabeleceu que o homem veio de lá para cá, e tudo o que possa indicar o contrário é ignorado. Nunca se fez no Brasil, trabalho de exploração arqueológica, nem mesmo etnográfica, ou linguística que mereça esse nome. Apenas uma coisinha aqui, um buraquinho ali, uma escavaçãozinha acolá – se acaso aparece alguma coisa…silêncio!

A Atlântida

O famoso continente desaparecido, citado por Platão em seus diálogos “Crítias” e “Timeu”, sofre guerra mais selvagem ainda, a ponto de se arriscar ao ridículo quem tente defender a sua existência passada. É um dos mais gigantescos tabus da História da Humanidade.

No entanto, a Atlântida, é perfeitamente defensável e, admitida, teríamos explicados vários problemas de migrações, se simultaneidade de raças e de idiomas, de palavras e de escritas, de lendas e de crenças, de superstições e de costumes. Explicaria, inclusive, perfeitamente, o Dilúvio Universal. É evidente que o dilúvio não pode ter sido universal, o que significaria que toda a Terra ficara coberta de água. Mas pode ter sido universal no sentido de região habitada. Uma certa parte do mundo, densamente habitada por um povo de cultura, já bem desenvolvida, teria sido submersa pelo cataclisma.

Naturalmente, muitos habitantes dessa região ter-se-iam salvo e fugido para terras distantes, levando consigo a memória indelével da destruição irreparável e total de sua terra. Esta memória não mais se perdeu. Para onde fossem, os descendentes deste povo levavam consigo a trágica história que repetiam aos seus descendentes. O tempo, as regiões, os costumes, o meio ambiente foram introduzindo variações na história, transformando-a em lenda. Lenda que persiste em todos os povos do mundo, inclusive entre os habitantes do Brasil de antes da descoberta.

Ora, a Atlântida foi submersa pelas águas, segundo conta Platão. A inferência é fácil. Por outro lado, sabe-se que pelo século XV antes de Cristo, como o registram velhos códigos, velhos relatos de povos desaparecidos e como se colhe na Bíblia – imenso cataclisma devastou a Terra e provocou inundações e terremotos consideráveis. Immanuel Velikovski, em seu livro Mundos em Colisão, afirma, mediante pesquisas exaustivas que realizou em textos antigos que o cataclisma foi provocado pela aproximação de um corpo celeste, um “cometa”, que seria Vênus, captado pelo sol e transformado, depois, no nosso conhecido vizinho do espaço. Fosse ou não Vênus a sua causa, o cataclisma verificou-se e pode ter provocado a submersão da Atlântida – porque foi acompanhado de chuvas violentas e de larga duração.

Há muito ainda que dizer sobre o enigma da Atlântida, em que pensar naqueles que nem sequer desejam falar no assunto. E, certamente, algum Darwin surgirá para dobrar os que se fazem de irredutíveis.

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Informação

Publicado em 27 de julho de 2015 por em Amazonia, Ficção Científica, Sem categoria.
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