Jeronymo Monteiro

O escritor Jeronymo Barbosa Monteiro (1908-1970) é um marco fundamental da literatura infantil e juvenil do Brasil. Foi um dos precursores do rádio-teatro, criador do primeiro detetive brasileiro e da primeira série policial. Mas, acima de tudo, é sempre lembrado como "Pai da Ficção Científica Brasileira".

MARCO FUNDAMENTAL DA LITERATURA INFANTIL E JUVENIL

Traicao e Castigo Gato Espichado
Antes de suas produções policiais e científicas, voltadas, em geral, para o público juvenil, as produções de Jeronymo Monteiro eram destinadas às crianças. Escreveu livros como O Homem da Perna Só (1943), O Palácio Subterrâneo das Antilhas (1943), Viagem ao País dos Sonhos (1949), entre outros cujas edições sucederam-se umas após outras.

Sua produção destinada às crianças é sintonizado com o que predominava na literatura infantil da época (anos 30 e 40): travessuras ou peraltices das crianças no dia-a-dia; a humanização de bonecos; histórias de animais falantes; histórias de fundo folclórico; aventuras com piratas, tesouros enterrados; aventuras de mistério, onde se faz presente a Segunda Guerra, que assolava na Europa.
Produziu contos maravilhosos (onde o Real e Fantasia se misturam, através do Sonho ou de viagens a mundos encantados);

Em 1956, publicou Curumi, o Menino Selvagem, cujo valor reside na apropriação da realidade do indígena brasileiro, que perde suas terras para o branco, e tem essa situação transformada em uma novela de aventuras de cunho histórico. Foi uma das primeiras a utilizar como matéria de ficção para o jovem leitor, a dramática situação do indígena brasileiro, acossado em suas terras, pelos brancos invasores. Ele revela a necessidade de conscientização relativa às injustiças sociais sofridas pelos indígenas. A imagem do índio apresentada nesta obra. invertendo o estereótipo do período, é apresentada de uma forma totalmente diferente do que se tinha até então.

Com bastante humor, ironia e grande poder hipnótico suas histórias vão além da simples diversão e servem também de veículo para a divulgação de suas ideias humanistas e do sonho utópico de paz e respeito entre os homens, alertando a humanidade para o perigo da mecanização excessiva sem a devida preocupação com a natureza.

Segundo as professoras Marisa Lajolo e Regina Zilberman, respeitando o cânone do livro de aventuras, “Jeronymo Monteiro não perde de vista dois aspectos: adota uma postura crítica em relação às suas personagens, evitando idealiza-las; e enraíza o tema, frequentemente veiculado através da literatura de massas e de outros meios de comunicação de procedência internacional, a um ambiente brasileiro, tanto por integrá-lo a uma vertente em que a Amazônia é objeto de uma representação mítica, como por evitar o ufanismo que pode revestir e camuflar o material literário estrangeiro”.

Destaca-se os seguintes títulos:
– No País das Fadas (Melhoramentos, 1930)
– O Irmão do Diabo – Narrativa de Walter Baron (Editora Nacional, 1937)
– Série para a Editora Anchieta, 1943
– O Homem da Perna Só
– O Tesouro do Perneta
– A Ilha do Mistério
– Os Nazistas na Ilha do Mistério
– O Palácio Subterrâneo das Antilhas
– A Cidade Perdida (Nacional, 1948 — Ibrasa, 1969)
– Viagem ao País do Sonho (Melhoramentos, 1949)
– Bumba, O Boneco que Quis Virar Gente (Editora do Brasil, 1955)
– Corumi, O Menino Selvagem (Brasiliense, 1956 — Editora Santuário, 1992)

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Informação

Publicado em 2 de julho de 2015 por em Infantil e Juvenil.
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